quarta-feira, 19 de maio de 2010


Não sei mais em que tempo vivo, meus pensamentos se tumultuam, as imagens embaralham-se, passado, futuro e presente se enroscam, misturados a sentimentos confusos, confessos, conexos... amor, saudades, alegria e tristeza todos juntos numa roda vida que vai girando, girando... momentos de turbulência, momentos de calmaria...


Faz frio, de repente fez-se inverno, o colorido deu lugar a tons de cinza... era uma manhã de sol, as árvores agitavam-se alegremente com o acariciar do vento, abanavam suas folhas cumprimentando-me... o verde musgo tão sugestivo... cor de esperança. Acho que fiquei louca ao ouvir momentaneamente o soar de trombetas e uma doce e suave lira tocada por querubins acompanhada por um coro de pássaros... a bem da verdade era o descompasso do meu coração ribombando ao compasso de uma sinfonia musical orquestrada por arcanjos... sintomas, talvez, de amor, saudade e uma pitada de esperança ao rever o bem amado... Mas ainda era cedo, meu coração estava apreensivo, de certa forma, eu sentia, eu sabia, era cedo ou demasiadamente tarde... nenhum espaço para qualquer tentativa de reaproximação... o mar fez-se rocha e qualquer mergulho seria fatal. A mim não cabia naquele instante nem voar, asas machucadas, sentia o peso do avesso... o sol que me aquecia era também o sol que me queimava... De repente, não mais que de repente o verde fez-se cinza que encobriu a esperança, dos olhos brotou um choro tímido, silencioso, vindos de um coração que sangra. Fez escuro... foi-se o sol e com ele a luz dos meus dias... Mas a esperança tá lá, inquieta, viva, encorberta por uma nuvem cinza, mas presente, aprendendo a arte da paciência, a dor que sabe esperar. Dura a esperança o tempo que dura o amor. "Enquanto houver vida, as possibilidades existirão"...

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